NEABI/ZL amplia ações, pesquisa e produções culturais em 2025 e fortalece a educação antirracista no IFRN

No Campus Natal – Zona Leste, o NEABI/ZL encerra o ano de 2025 com uma intensa agenda de projetos, pesquisas e ações formativas.

Integrantes do NEABI em uma de suas ações (Foto: Divulgação)

O dia 20 de novembro é marcado pelo dia da Consciência Negra. A data coincide com o aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, que hoje fica no estado de Alagoas, espaço que ficou conhecido por resistir aos ataques de forças luso-brasileiras, holandesas e bandeirantes, utilizando táticas de guerrilha e um conhecimento superior da região. A população cresceu muito durante as invasões holandesas, quando muitos escravizados fugiram dos engenhos.  

Além disso, este é o momento para promover a reflexão sobre o racismo, a desigualdade social e a importância da cultura africana na formação do Brasil.

Cada campus do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) há o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI). No Campus Natal – Zona Leste, o NEABI/ZL encerra o ano de 2025 com uma intensa agenda de projetos, pesquisas e ações formativas. O conjunto de iniciativas reafirma o papel do núcleo como um dos principais articuladores de políticas educacionais voltadas à diversidade étnico-racial dentro da instituição.

Coordenado pela professora Elizama das Chagas Lemos, o NEABI atua como grupo permanente de estudo, pesquisa e extensão, responsável por fomentar ações afirmativas e orientar o cumprimento das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que incluem no currículo a temática da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena. No Campus Natal – Zona Leste, o núcleo reúne servidores de diferentes áreas e conta com bolsistas e voluntários que ampliam o alcance das atividades.

“O NEABI/ZL, em todos esses anos, tem feito bons projetos, mas a pauta por uma educação antirracista ainda precisa ser melhorada. E não somente devido ao núcleo em si, mas com relação ao envolvimento da comunidade. Por exemplo, o projeto Pluralidades Negras tem tentado (e espero que tenha tido algum alcance), porque o grupo está atuante nisso e em todas as outras ações envolvidas”, ressaltou a professora.

Pesquisa nacional e inovação digital

Entre os destaques de 2025 está o projeto aprovado via edital da Universidade de Brasília (UnB), intitulado “Axiomas para transformar a atuação dos NEABI dos Institutos Federais do Nordeste com o uso das tecnologias digitais”. A iniciativa analisa como ferramentas digitais têm sido usadas para preservar e difundir culturas afro-brasileiras e indígenas nos Institutos Federais da região.

A pesquisa envolve análise documental, entrevistas com grupos focais e produção de dados empíricos que devem subsidiar novas estratégias de atuação dos núcleos. O projeto resultou ainda em duas publicações já aprovadas: uma em revista científica e outra como capítulo de livro, consolidando a presença do NEABI/ZL na produção acadêmica nacional.

Cultura e memória: mulheres como protagonistas

Outra ação marcante, em parceria com o Núcleo de Arte do IFRN/ZL, é o vídeo-documentário “As Donas do Santo Gonçalo”, que investiga a diversidade cultural de São Gonçalo do Amarante a partir da trajetória de quatro mulheres fundamentais para a história do município: Dona Militana, Séphora Bezerra, Dona Neném e Ivani Machado.

A produção reúne pesquisa histórica, entrevistas, registros audiovisuais e a atuação de bolsistas, articulando formação, extensão e valorização da memória potiguar. Para a coordenação, o documentário reafirma o compromisso do NEABI com a preservação da cultura local e com o reconhecimento do papel das mulheres na construção das identidades culturais.

A professora Elizama Lemos comentou que o processo do documentário está na fase de finalização e o lançamento acontecerá no Teatro de São Gonçalo do Amarante. 

Capoeira potiguar como patrimônio vivo

Em outra frente, o NEABI desenvolveu o projeto de extensão “Ações afirmativas para auxiliar na salvaguarda da Capoeira Potiguar”, com atividades regulares voltadas a estudantes, servidores e comunidade externa. A capoeira, reconhecida como patrimônio imaterial pelo IPHAN desde 2008, é tratada como elemento de formação cidadã, identidade e resistência.

A iniciativa inclui aulas, rodas, debates, apresentações culturais e participação em eventos como a Semana da Consciência Negra. O projeto dialoga com o Plano de Salvaguarda da Capoeira no Rio Grande do Norte, documento construído coletivamente por capoeiristas do estado, e reforça o compromisso do IFRN com a preservação e valorização desta prática ancestral.

Formação e extensão: construção de uma agenda antirracista

O calendário do núcleo em 2025 também abrange o projeto “Pluralidades Negras”, composto por ações formativas que envolvem representantes de diversos setores da sociedade. Os encontros abordam temas como identidades, desigualdades, memória, direitos e práticas antirracistas, promovendo debates que atravessam tanto o ambiente escolar quanto a vida comunitária.

As atividades incluem rodas de conversa, palestras, oficinas e ações culturais. Segundo a coordenação, o projeto reforça a importância de criar espaços de diálogo e escuta dentro da instituição, ampliando a atuação do NEABI para além das práticas pedagógicas tradicionais.

Impacto institucional

Ao longo de 2025, o NEABI/ZL consolidou-se como um núcleo de referência dentro do IFRN. Sua atuação integra pesquisa, cultura, formação e extensão, conectando o campus à sociedade e fortalecendo políticas educacionais comprometidas com a diversidade e os direitos humanos.

Os projetos desenvolvidos neste período evidenciam a capacidade do NEABI de articular diferentes áreas e promover ações que unem inovação tecnológica, produção cultural e ancestralidade. Para a coordenação, o ciclo de 2025 reafirma a importância de manter e ampliar iniciativas que contribuam para uma educação antirracista, inclusiva e socialmente referenciada.

Ações para o ano de 2026

O NEABI está próximo de alcançar novas ações para o próximo ano, mas primeiramente o foco é concluir as ações mencionadas. Segundo a professora Elizama Lemos, uma “certeza para o próximo ano será manter a ação do projeto Pluralidades”.

A ideia é que sejam mais temas debatidos para poder promover um campus cada vez mais antirracista. 

“Acho que a pauta de uma educação antirracista precisa estar presente em todos os aspectos que perpassam na nossa instituição. Desde os nossos documentos até nossas atividades laborais”, finalizou a docente.