NAPNE do IFRN/ZL cria ações de acolhimento para alunos com TEA
No IFRN/ZL, o NAPNE fornece suporte a oito alunos com autismo nas aulas e atividades avaliativas.
02 de abril de 2025
O mês de abril é marcado pela conscientização do Transtorno do Espectro Autista (TEA). É um distúrbio caracterizado pela alteração das funções do neurodesenvolvimento do indivíduo, interferindo na capacidade de comunicação, linguagem, interação social e comportamento. Mesmo assim, o diagnóstico precoce permite o desenvolvimento de estímulos para independência e qualidade de vida das crianças.
No Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), através do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (NAPNE) do Campus Natal-Zona Leste, o cuidado com TEA é realizado cotidianamente para que todos tenham qualidade de vida para estudar e trabalhar.
Além disso, a equipe do Campus desenvolveu um material didático sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os desenvolvedores foram a pedagoga Ângela Rocha, a professora Thalita Motta e a psicóloga Elaine Macedo, membros do NAPNE, do Campus Natal-Zona Leste.
A psicóloga comentou que o material surgiu diante da constatação da dificuldade, de vários profissionais da educação, em compreender o que é o TEA e como lidar com a educação inclusiva. Essa dificuldade se torna ainda mais evidente no contexto do da Educação Profissional, onde os alunos já são adolescentes ou adultos, e para os quais não há tantos estudos publicados.
“Diante desse cenário, a equipe decidiu reunir seus conhecimentos e criar um projeto de extensão para desenvolver um curso aberto sobre o tema. O objetivo era disseminar o conhecimento de forma acessível para todos os interessados”, comentou a profissional.
Embora o material seja para todos os educadores, ela destacou que, no ensino a distância (EaD), a comunicação pode se tornar ainda mais complexa. Para facilitar o entendimento, é essencial que os educadores utilizem uma linguagem clara e objetiva, evitando ironias, duplo sentido e expressões ambíguas.
“Uma das principais preocupações do NAPNE é remover barreiras para a inclusão, e isso inclui barreiras comunicacionais. Para minimizar os desafios da comunicação a distância, a equipe aposta em encontros síncronos e chamadas de vídeo, buscando criar uma maior proximidade com os alunos”, disse.
Entre os desafios enfrentados pelos estudantes com TEA, Elaine aponta a dificuldade em lidar com o acúmulo de tarefas, a ansiedade e a interação com professores e colegas, além da dificuldade em participar de fóruns e espaços coletivos de aprendizagem.
Segundo Elaine, o foco da inclusão deve estar na conscientização dos educadores e colegas de curso para que ocorra uma quebra de preconceitos. “As pessoas precisam conhecer mais para não terem medo”, afirma, reforçando que esse é um dos caminhos fundamentais para a construção de um ambiente mais acolhedor e inclusivo.

Michelle Carvalho é mãe de Luiz Filipe Carvalho Rêgo, de 20 anos, ex-aluno de Sistemas para Internet. Ela reconhece que o apoio do NAPNE ajudou bastante o desenvolvimento do aluno, permitindo-o ter acesso ao mundo adulto e suas responsabilidades.
Luiz Filipe encontrou no IFRN um ambiente acolhedor graças ao suporte do NAPNE. Sua família, orientada por uma terapeuta, buscou o setor para garantir que ele tivesse as adaptações necessárias no curso EaD. A recepção foi positiva, e os professores foram orientados a tornar o ensino mais acessível.
“As dificuldades de Luiz Filipe são mais relacionadas à interpretação. Ele é muito literal, então ele não entende insinuações irônicas ou palavras subentendidas. Então os questionamentos têm que ser muito claros.”, disse Michelle. Diante disso, o NAPNE acompanhou os encontros presenciais e soluções para que pudessem compreender melhor as atividades avaliativas.
Segundo Michelle, os educadores precisam aprender a trabalhar com a neurodivergência e desenvolver técnicas de ensino que promovam a acessibilidade. “Vejo muitas iniciativas para crianças e adolescentes, mas poucas para adultos. Não se trata de um privilégio, mas de reconhecer que esses alunos podem se destacar em determinadas áreas, se bem acompanhados”, lamentou.
Para procurar o serviço do NAPNE, entre em contato por meio do e-mail: napne.zl@ifrn.edu.br.
Diagnósticos característicos sobre o TEA
O diagnóstico precoce permite o desenvolvimento de práticas para estimular a independência e a promoção de qualidade de vida e acessibilidade para essas crianças. Por isso, é importante observar se a pessoa apresenta:
- • Inabilidade persistente na comunicação social;
- • Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, manifestados por movimentos, falas e manipulação de objetos de forma repetitiva e/ ou estereotipada;
- • Insistência na rotina; rituais verbais ou não verbais;
- • Inflexibilidade a mudanças; padrões rígidos de comportamento e pensamento; interesses restritos e fixos com intensidade;
- • Hiper ou hipo atividade a estímulos sensoriais.
As características devem estar presentes no período de desenvolvimento, em fase precoce da infância, mas podem se manifestar com o tempo conforme as demandas sociais excedam as capacidades limitadas.
A psicóloga do Campus Natal – Zona Leste, Elaine Macedo, também ressalta que o IFRN não realiza diagnósticos, pois o serviço de psicologia tem caráter de acompanhamento e promoção da saúde emocional dos alunos, não sendo um serviço de avaliação clínica.