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No mês das mulheres, professora há mais tempo no Campus EaD fala sobre educação, machismo e a luta feminina por igualdade no mercado de trabalho

reportagem: Laurence Campos e Andrea Tavares

 

O empoderamento, o pioneirismo e a trajetória na educação marcaram a vida da professora Marília Silveira, a servidora há mais tempo em atuação no Campus EaD. A história com o Instituto Federal começou em 1995, quando oficializou vínculo com a instituição, este que agora chama de “segunda casa”, com muito carinho: “é como uma família. Aqui tenho muitos amigos, aprendo diariamente e vivo experiências únicas”.

Desbravadora e determinada, já participou inclusive de uma missão internacional majoritariamente composta por uma equipe feminina para capacitar professores no Timor Leste, país que fica situado na parte ocidental da Ilha de Timor, no sudeste asiático. A missão aconteceu em 2003, um ano depois de o país se tornar independente. O clima era de instabilidade, mas a professora não hesitou: “foi uma experiência pessoal e profissional incrível. Deixei meus dois filhos e meu marido por 8 meses para capacitar professores. O clima às vezes não era bom, mas a vontade de ensinar e aprender falou mais alto”, afirmou.

 A experiência com a Educação à Distância

A história com educação à distância começou em 2007, com o Projeto do Programa de Iniciação Tecnológica e Cidadania do CEFET, o Procefet, que, na época, funcionava como hoje funciona o ProITEC – curso que prepara os estudantes por meio de livro, fascículos e teleaulas para o ingresso no ensino técnico integrado ministrado pelo IFRN. “Essa foi minha primeira experiência com Educação à Distância, produzindo materiais que eram divulgados nos jornais e teleaulas para a TV. Depois disso, o embrião do Campus EaD estava sendo germinado no Instituto, daí surgiu a coordenação e depois a diretoria EaD. Só depois veio o Campus”, explicou.

Em 2010, com o surgimento do Campus EaD, veio a responsabilidade em assumir a coordenação do curso “Língua Portuguesa e Matemática numa perspectiva transdisciplinar”, um curso de especialização repleto de desafios e pioneirismo, o qual a professora encarou com a devida importância. “Foi um desafio, mas era preciso ensinar a relação entre as matérias. Tudo depende de outra coisa, não existem fatores isolados”, afirmou. Para ela, a Educação à Distância é de extrema importância para socializar o conhecimento. “Conseguimos chegar em lugares distantes, onde a educação presencial não alcança. Recebemos depoimentos emocionantes de alunos que tiveram oportunidades com a gente”, conta.

Com o pioneirismo da modalidade, vieram os desafios. “Ficamos surpresos com o alcance e com as conquistas até hoje. Fomos aprendendo e fazendo e vice-versa. Fomos descobrindo aos poucos”, relembra.

Feminismo na Educação

O pioneirismo do Campus EaD foi protagonizado por mulheres que, como a professora Marília, estiveram à frente do sucesso do trabalho. “Aqui há mulheres muito fortes! Aprendi muito com cada uma que convivo. O conhecimento abre a mente da gente para vermos como somos capazes como mulheres e ninguém tira nenhum direito nosso”, exclamou.

O exemplo de determinação veio de casa, quando observava e se inspirava em outra mulher, uma mãe, como ela mesmo lembra, “guerreira e batalhadora, que me criou, educou e conciliou a vida materna com a profissional. Muitas vezes ela sustentava a casa”. Quando questionada sobre a importância da educação para a sociedade, principalmente para as mulheres, ela reflete que “o conhecimento abre a mente da gente para enxergar a nossa capacidade como mulheres, que é imensa”.

 

Mas, segundo ela, o reflexo da sociedade machista ainda reverbera nos meios de trabalho. “Apesar de sermos muitas, ainda somos minoria aqui. Quantas mulheres você vê em cargos altos? Poucas, não é mesmo? Mas eu tenho esperança no futuro”, explica. Para a professora, já é difícil avaliar o feminismo em uma esfera sozinha, pois é naturalmente parte do dia a dia dela. “Eu não consigo nem pensar como uma coisa separada. Faz parte de mim, do meu dia a dia. Eu não me calo”. Outro ponto importante, destacado por Marília, é a insistência e a resistência. “É preciso resistir, insistir e jamais desistir. Não podemos nos acomodar! Não é possível se acostumar com uma sociedade onde mulheres são mortas por serem mulheres ou por contrariarem pensamentos machistas”, lamentou.

Já com idade de se aposentar, a professora Marília esbanja um pensamento vanguardista e sem preconceitos. “Alegra-me ver estudantes travestidos em sala e me entristece saber dos discursos de ódio que são espalhados por aí, mas acredito no futuro e tenho esperanças que irá mudar”. Para ela, a educação é um pilar para tudo e, nem se tivesse escolha, mudaria de profissão. “Não faria outra coisa a não ser dar aula, ensinar, aprender. O diálogo da escola é com o mundo e o estudante é o meio de comunicação. É um trabalho de formiguinha, mas as conquistas aparecem e vão continuar aparecendo. Afinal, o conhecimento e a mulher são pilares da sociedade e devem ser respeitados”, finalizou.

Dia das Mulheres no Campus EaD

Nessa quinta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, o Campus EaD do IFRN homenageou servidoras, estagiárias e bolsistas relembrando a história de mulheres que, assim como a professora Marília Silveira, tiveram uma atuação de destaque em suas trajetórias profissionais. Personalidades como Nísia Floresta, Tarsila do Amaral, Pagu, Anita Garibaldi, Rachel de Queiroz, Anésia Machado, Celina Guimarães, Maria da Penha e Zilda Arns tiveram as suas histórias lembradas em um kit que foi entregue a todas as mulheres do Campus. Relembrar a contribuição de cada uma delas para o desenvolvimento da sociedade em que vivemos, assim como a importância da professora Marília Silveira para a educação à distância do Rio Grande do Norte, é a forma que o Campus EaD encontrou para enfatizar que o papel de todos é fundamental em igual proporção para o alcance de um objetivo único de prosperidade social. Às mulheres, o reconhecimento pela trajetória de conquistas e a expectativa por um futuro com a participação igualitária de todos. Parabéns!

 

 

*Fotos de arquivo pessoal.

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