Revisor do IFRN/ZL lança livro no Salão do Livro de Genebra e representa literatura afrocentrada
O revisor do IFRN/ZL participou do Salão do Livro de Genebra, na Suíça, um dos maiores eventos literários da Europa.
26 de março de 2025
O revisor Wagner Ramos Campos, do Campus Avançado Natal-Zona Leste do IFRN, está conquistando espaço na literatura internacional com o lançamento de seu livro “É Nós”, no prestigiado Salão do Livro de Genebra. Um dos maiores eventos literários da Europa. Além da sessão de autógrafos, o autor também foi contemplado na 9ª edição do Prêmio Talentos Hevéticos-Brasileiros, que reconhece escritores brasileiros de destaque.
A obra surgiu em meio ao lockdown da pandemia de Covid-19, em 2020, enquanto Wagner morava na Itália. Enfrentando um bloqueio criativo, o autor estabeleceu uma rotina disciplinada de escrita, produzindo um poema por dia. O resultado foi um “poemão polifônico e contínuo” que aborda temas como sátira social, raízes ancestrais, feminismo, antirracismo e uma releitura crítica da história brasileira.
Lançar um livro no Salão do Livro de Genebra representa um marco na carreira de Wagner Ramos Campos. O autor ressalta que essa conquista vai além de um reconhecimento individual, sendo um ato de ocupação de espaços historicamente negados à população negra e periférica. “Não cheguei sozinho a Genebra, cheguei com um ‘nóS (sic)‘ muito forte, cuja potência se perde nas origens das raízes brasileiras”, afirma o escritor.
Wagner, que cresceu na Zona Oeste do Rio de Janeiro, destaca que suas vivências influenciam profundamente sua escrita. “Minha escrita sou eu, cria da periferia, das ruas e dos ônibus lotados de madrugada. Mas também sou alguém que teve a oportunidade de olhar esse contexto de diferentes perspectivas, primeiro em Natal, depois em Portugal e, enfim, na Itália”, explica.

A valorização de narrativas afrocentradas é um dos pilares da obra de Wagner. Ele acredita que os escritores negros e indígenas estão entre as vozes mais potentes da literatura contemporânea, resgatando memórias, fortalecendo identidades e reinventando o futuro. “Precisamos desapropriar a monocultura narrativa da literatura comercial. Nossa história é mais bonita do que a de Robinson Crusoe”, defende o autor.
Além do sucesso de “É Nós”, Wagner já tem novos projetos literários em andamento. Entre eles, três livros infantis abordando meio ambiente, democracia e relações étnico-raciais, um livro de contos e uma coletânea de histórias orais de uma matriarca da comunidade da praia de Santa Rita (RN).
Com seu trabalho, Wagner Ramos Campos segue abrindo caminhos para novos escritores negros e periféricos, ampliando vozes e ocupando espaços antes inacessíveis. Como ele mesmo destaca: “É preciso acreditar e escrever sempre. Tentar, de novo e de novo, alimentando a fé na própria história e na própria voz, que são únicas”.