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ENSINO SUPERIOR – Conheça duas histórias reais de transformação proporcionada pela democratização do ensino

Reportagem: Laurence Campos e Junior Costa

O ensino superior é uma etapa educacional que possibilita ao estudante o exercício de uma carreira profissional. O que deveria ser de fácil acesso, devido à sua importância para o desenvolvimento econômico e social do país, está mais longe do que se imagina para a maioria da população brasileira: dados da Pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2019, desenvolvida pelo IBGE, apontam que apenas 32,7% dos jovens entre 18 e 24 anos estão em uma faculdade. A pesquisa ainda revela uma ferida que permanece aberta no Brasil: cerca de ⅓ da população brasileira não terminou sequer o ensino fundamental.

Na contramão desses dados, a educação a distância surge como uma possibilidade de capacitação e oferta de ensino. De acordo com o Censo da Educação Superior 2019, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação, o número de matrículas em cursos a distância em 2019 aumentou 378,9%, quando comparado a 2009: do total, o número de novos alunos em cursos EaD saltou de 16,1% em 2009 para 43,8% em 2019.

A flexibilidade proporcionada pela educação a distância é um dos fatores que corroboram para o crescimento da EaD no Brasil, tornando essa metodologia uma forte aliada na busca pela democratização do ensino no país. No IFRN, o Campus Natal – Zona Leste é o responsável pela oferta de cursos a distância, incluindo cursos FIC, técnicos de nível médio subsequentes, de graduação e pós-graduação. Entre os alunos, histórias de superação que comprovam a importância do fácil acesso ao ensino público de qualidade.

Inclusão no ensino superior

Professores e alunos do Curso Superior de Licenciatura em Letras – Espanhol na modalidade EaD viram de perto o desenrolar de uma história de superação. Apesar da deficiência visual total, Luciana Maria da Silva do Nascimento encarou o desafio de estudar a distância e defendeu recentemente o seu TCC, tornando-se a primeira aluna cega a se formar professora de Espanhol na instituição. “É uma conquista na vida de qualquer pessoa, principalmente na vida de alguém com deficiência, porque são muitos obstáculos. Nós matamos um leão e já fica outro para matar no outro dia”, reflete.

Defesa do TCC da aluna Luciana Nascimento.
Foto: Arquivo pessoal.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE (2019), cerca de 8,4% da população brasileira é PCD (Pessoa Com Deficiência), o equivalente a 17,3 milhões de brasileiros. Diante disso, faz-se necessário que todas as escolas estejam preparadas para receber todas as pessoas, conforme estabelecido pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência:

Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

A preparação para receber pessoas com necessidades especiais faz parte da rotina do Campus Natal – Zona Leste. “Durante o curso, eu tive contato com o Napne (Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais), que me apoiou com todos os materiais acessíveis e adaptáveis que eu precisei, como mapas mentais e conceituais. Os profissionais de TI (Tecnologia da Informação) adaptaram o Moodle (sala de aula virtual) para as minhas necessidades. Tive acesso ainda a uma profissional mediadora pedagógica, que adaptava os vídeos, as imagens, atividades e avaliações”, lembra.

“A educação deve ser para todos independente de classe social, cor, raça, religião, gênero ou deficiência. A educação superior é importantíssima para o ingresso no mercado de trabalho e principalmente para pessoas com deficiência, contribuindo para a inclusão de todos” (Luciana Nascimento)

Primeira da família a concluir o ensino superior

Makesia Mayra de Gois saiu de Caraúbas, distante 260km da capital Natal, com um único objetivo: estudar. Apesar de “não conhecer ninguém nem ter recursos financeiros”, como ela mesma lembra, foi no IFRN que Makesia encontrou as portas abertas para concluir o sonho. Hoje, graduada em Letras Espanhol, ela se torna a primeira pessoa da família a concluir o ensino superior.

A mais nova professora de Espanhol enfatiza que a estrutura técnica do IFRN facilitou sua formação profissional desde o começo. “Ser aluna de uma instituição como o IFRN é uma oportunidade valiosa demais! O Instituto é mãe e pai daqueles que querem trilhar um caminho diferente na vida, porque proporciona um quadro de excelentes docentes, uma estrutura adequada e materiais para estudo de ótima qualidade. Todos os equipamentos tecnológicos, bibliotecas e bolsas de pesquisa e extensão são de suma importância para nosso aprendizado e crescimento educacional”, enumera.

“O IFRN me acolheu, em especial o Campus Natal – Zona Leste, ao qual tenho muito respeito e carinho. Foram inúmeras as barreiras, mas graças a todo o apoio da Instituição eu me tornei a primeira pessoa da família a me formar.” (Makezia de Gois)

Hoje, como bolsista de pedagogia, Makesia deixa um recado: “Se puder, ensine e compartilhe o que você aprendeu. Se estudar e aprender é um privilégio, compartilhar o que você aprendeu é uma retribuição“, finaliza.

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